A Dor da Mulher e o Mito da Punição Divina: O Resgate da Nossa Verdade
- camila gabrielle siring beckeer
- 9 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Por séculos, nos ensinaram que a dor menstrual e do parto são punições divinas, um castigo pelo erro de Eva. Mas se Deus é misericordioso, como poderia Ele condenar todas as mulheres por um único erro?
Se olharmos com atenção, veremos que essa não é a lógica de Deus, mas sim a lógica dos homens que usaram a religião para impor culpa e controle.
Negar o Feminino em Deus é Negar a Vida
Deus é o princípio criador. Ele não pode ser apenas masculino, porque a criação exige tanto o masculino quanto o feminino. Negar o feminino em Deus é negar a própria vida, pois é através do feminino que a existência se manifesta.
As mulheres são os portais da vida. Somos nós que gestamos, nutrimos e damos continuidade à existência. Se o divino nos fez com essa capacidade, por que Ele nos puniria por isso?
A ideia de um Deus exclusivamente masculino foi construída para justificar a supremacia do homem sobre a mulher. Mas se Deus fosse apenas masculino, como poderia Ele gerar a vida? A criação não acontece sem o equilíbrio das duas energias.
Deus Não é Vingativo — O Patriarcado Sim
Se Deus é amor e justiça, Ele não poderia agir com rancor e vingança. Raiva, ódio e desejo de punição são sentimentos humanos, não divinos.
Nos ensinaram que nossa menstruação é suja, que a dor do parto é uma punição. Mas o que aconteceria se víssemos esses ciclos como sagrados, como um reflexo da própria natureza divina? O feminino tem suas estações, assim como a Lua, assim como a Terra. Aceitar e honrar isso é aceitar a própria vida.
Não Sou Contra o Conservadorismo, Mas Contra a Distorção da Natureza Humana
Essa reflexão não é um ataque ao conservadorismo, mas sim uma crítica ao feminismo radical que distorceu a essência do feminino e do masculino.
O feminismo moderno tentou apagar as diferenças naturais entre os sexos, transformando a mulher em uma guerreira e afastando o homem de seu papel de protetor e provedor. Isso gerou uma desconexão, onde as mulheres são forçadas a carregar tudo sozinhas, enquanto os homens se tornam apáticos ou sem propósito.
Isso não é equilíbrio. Isso não é natural.
A mulher foi feita para criar, nutrir, trazer vida — e para isso, precisa ser protegida e cuidada. O homem, por sua vez, foi feito para prover, proteger e guiar, não para ser um espectador passivo ou um adversário da mulher.
O Mito de Eva e a Construção da Culpa
A história de Eva tem sido usada para justificar a opressão da mulher. Mas e se a interpretação tradicional não fosse a única possível?
O texto bíblico nunca afirma que a mulher foi "amaldiçoada" — apenas diz que ela teria dores no parto, assim como o homem enfrentaria dificuldades para sustentar a família. Ambos passaram a enfrentar desafios na existência humana, e isso está longe de ser uma punição exclusiva para a mulher.
Além disso, se olharmos para o contexto original, veremos que o conhecimento sempre foi algo valorizado por Deus. A sabedoria é exaltada nas Escrituras, e buscar entendimento nunca foi considerado um erro. O problema não foi o desejo de conhecer, mas sim a desconexão do propósito divino, algo que aconteceu tanto com Eva quanto com Adão.
Ou seja, a ideia de que Eva trouxe o mal ao mundo é uma interpretação usada para criar culpa na mulher, e não um fato absoluto dentro da fé. Se Deus fosse condenar o conhecimento, Ele não teria nos dado inteligência e livre-arbítrio.
Resgatando Nossa Essência
Deus nunca nos puniu — quem fez isso foi o mundo patriarcal.
Nossa menstruação não é uma maldição, é um ciclo sagrado. Nosso corpo não é um campo de batalha, é um templo. E quando paramos de odiar nossos ciclos e passamos a respeitá-los, a dor se dissolve, a culpa desaparece e voltamos ao que sempre fomos: a própria manifestação da vida. 🌿✨️





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