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Eu queria escrever sobre cada pessoa que passou pela minha vida… mas tenho medo.

  • Foto do escritor: camila gabrielle siring beckeer
    camila gabrielle siring beckeer
  • 12 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Sabe quando a gente sente que carrega palavras guardadas no peito?Memórias que não foram ditas, cartas que nunca foram enviadas, conversas que ficaram suspensas no tempo?


Ultimamente, tenho sentido uma vontade muito forte de escrever sobre as pessoas que passaram pela minha vida — algumas ainda estão, outras já foram embora há muito tempo. Não é pra falar mal, nem pra expor ninguém. É porque eu acredito que existe cura em colocar pra fora o que ficou entalado na garganta da alma.


Desde que iniciei o processo de terapia, muita coisa tem voltado à superfície. A minha terapeuta, inclusive, já havia me alertado:


“Vai chegar o momento da retrospectiva. Você vai olhar pra trás com olhos novos.”

E esse momento chegou.Com ele veio a vontade de revisitar pessoas, situações, versões antigas de mim que ainda habitam minhas lembranças. Não pra sofrer de novo, mas pra compreender, integrar e — quem sabe — deixar ir.


Mas confesso que tenho medo. Medo de que leiam e pensem:— “É assim que ela se sente por mim ainda?”“Ela tá remoendo isso tudo?”“Nossa, como ela é dramática.”Ou pior: medo de serem indiferentes.

Outro dia, falei sobre isso com meu namorado, e ele me perguntou: "Você quer escrever pra chamar atenção ou pra desabafar?"


E essa pergunta ficou ecoando em mim. Será que eu queria mesmo era poder conversar com essas pessoas e dizer como me sinto? Será que esse impulso de escrever é um grito por conexão, por reconhecimento?Ou é só um desabafo interno, uma forma de me libertar do que ainda pesa?


Talvez seja tudo isso junto. Talvez escrever seja o meu jeito de existir entre o que ficou e o que não volta mais. Talvez seja como escrever um bilhete, colocar numa garrafinha e soltar no mar, sem saber se alguém vai ler. Mas ainda assim, soltar.

Quando escrevo sobre alguém, estou escrevendo sobre o que aquela pessoa causou dentro de mim. Não sobre o que ela é agora. Nem sobre o que eu sinto hoje. Mas sim sobre o que vivi e como aquilo deixou marcas — boas, ruins, profundas ou sutis.


Eu tenho vontade de escrever cartas que nunca entreguei. De pedir desculpas que nunca foram ditas, e de expressar gratidão por detalhes que talvez nem a própria pessoa lembre mais. Tenho vontades de gritar o que calei e também de agradecer por ter amado tanto.

Talvez eu comece a escrever essas histórias por aqui, aos poucos. Talvez eu transforme em poesia, talvez em carta aberta, talvez em metáfora. Mas quero que fique claro: nada disso é um ataque ou um convite ao drama. É um convite à cura.


E se você se reconhecer em algum texto meu, saiba: Eu te escrevo com amor, mesmo que a gente tenha se perdido. E se você não se reconhecer, tudo bem. Talvez eu esteja escrevendo pra uma versão antiga de você, ou pra uma versão antiga de mim.


Com carinho, Camila Beckeer 🌙

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