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A Solidão de Ser Eu Mesma: Quando Mudamos e as Amizades Ficam Diferentes

  • Foto do escritor: camila gabrielle siring beckeer
    camila gabrielle siring beckeer
  • 12 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Ultimamente, tenho refletido muito sobre como as coisas mudaram, sobre o que me levou a me afastar e a ficar em silêncio. Não foi uma decisão simples, nem algo que fiz por impulso, mas, sim, algo que foi acontecendo com o tempo, sem que eu tivesse controle. Não consigo mais ser a mesma pessoa de antes — ou melhor, não consigo mais fingir ser alguém que não sou. E é por isso que estou aqui, tentando encontrar as palavras certas para que, talvez, um dia elas entendam o motivo do meu afastamento.

Quando comecei a perceber que a nossa amizade já não era mais a mesma, que a intimidade e a conexão que eu costumava sentir não estavam mais ali, algo em mim se quebrou. A verdade é que eu mudei muito e, ao mesmo tempo, percebi que o caminho que escolhi trilhar não era mais o mesmo delas.

Não foi uma mudança de preferências ou uma fase passageira. Eu mudei na raiz do meu ser. Comecei a me aprofundar em práticas espirituais que são vistas de forma diferente, ou até pouco compreendidas, comecei a questionar coisas que antes achava certas, e, no fundo, senti que talvez nunca tenha pertencido realmente a esse grupo. Foi como se, ao tentar me abrir sobre esses novos pensamentos e sentimentos, a resposta de delas fosse de incompreensão, e talvez até de julgamento.

Cada vez que tentei falar sobre o que estava me acontecendo, de forma sutil ou até mesmo pedir um conselho, percebi que me tornava a "esquisita" da turma, alguém que não se encaixava mais. Quando falava sobre minha ansiedade, sobre minha fé, ou até mesmo sobre minhas escolhas de saúde e espiritualidade, sentia que estava sendo vista como alguém "diferente", alguém que precisava de ajuda, mas não da forma como vocês estavam acostumadas a ver.

E foi aí que, talvez, eu tenha me fechado. Não porque queria, mas porque percebi que não conseguia mais ser eu mesma sem me sentir desconfortável. Tentei me aproximar algumas vezes, tentei me abrir, mas, por medo de ser vista como uma pessoa "estranha", optei pelo afastamento. E, de certa forma, isso me machuca. Ficar distante delas não é fácil. Eu queria ainda estar lá, rir das mesmas coisas, conversar sobre a vida, mas, cada vez mais, fui sentindo que não fazia mais sentido.

Acho que uma parte de mim queria que elas entendessem, que soubesse o que se passa na minha mente, e, quem sabe, me apoiassem nas minhas escolhas. Mas a verdade é que, ao tentar ser eu mesma, percebi que o meu "eu" não encaixava mais na versão que elas tinham de mim. E isso me deixou triste, porque, no fundo, eu sempre quis ser vista por quem eu realmente sou.

Eu não espero que elas me compreendam ou que compartilhem das mesmas ideias, mas a solidão que esse afastamento me trouxe é um lembrete de que, às vezes, a vida nos coloca em situações onde precisamos tomar decisões difíceis para nos manter fiéis a quem somos. E, mesmo que me doa, eu sei que isso foi necessário para que eu pudesse seguir meu caminho com mais honestidade e autenticidade.


Ainda tenho vontade de ser aquela tia legal para as filhas delas, aquela presença divertida e acolhedora que poderia fazer parte da vida delas, oferecendo apoio e confiança. Tenho vontade de desabafar tudo o que está aqui dentro, chorar e ser acolhida, mas o medo de ser julgada ou ignorada acaba me impedindo de me abrir. Percebo que, com o tempo, algumas atitudes — em grande parte por causa da minha crise de pânico e do medo de sair de casa — acabaram criando um afastamento entre nós. Sei que não foi algo intencional, mas isso machuca. O silêncio, o distanciamento, fizeram com que eu me sentisse deixada para trás. Eu entendo, mas ainda assim, dói ver a distância crescer entre nós. E, nas tentativas de me reaproximar, percebo atitudes que me fazem pensar: "Ah, se quebrou, melhor deixar pra lá mesmo, vou me ferir menos." Essa sensação de que, talvez, o melhor seja não tentar mais, para evitar me machucar ainda mais, acaba me afastando ainda mais de uma possível reconexão.


Eu não sou mais aquela Camila de antes. E sei que isso pode ser difícil de entender, até mesmo de aceitar. Mas, ao me afastar, não quis magoar ninguém. Apenas quis ser honesta comigo mesma e me proteger, e em momento algum foi sobre elas. Eu espero que, de alguma forma, o tempo nos mostre que as mudanças que fiz não foram para me afastar delas, mas para me aproximar mais de mim mesma.

Por fim, eu não quero que pensem que eu não gosto de vocês ou que nossa amizade não significou nada para mim. Muito pelo contrário, sempre levei tudo o que vivemos no coração. Mas compreendam que os motivos pelos quais eu me afastei e não quis participar ativamente das vidas de vocês não têm a ver com a falta de carinho ou consideração, mas sim porque eu estava desconfortável comigo mesma. A minha luta interna, o processo de autoconhecimento e as mudanças pelas quais passei me fizeram perceber que eu precisava de um tempo para me entender e me encontrar, antes de poder ser a amiga que vocês merecem.

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