top of page

Hoje eu percebi que eu sou escritora.

  • Foto do escritor: camila gabrielle siring beckeer
    camila gabrielle siring beckeer
  • 12 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Hoje eu percebi que eu sou escritora.

E esse tempo todo eu ficava fugindo desse título por medo de julgamentos. Porque sempre me ensinaram que, pra ser escritora, precisava ser boa em português, dominar regras, ter mil certificados. Mas ninguém me contou que ser escritora também é desabafar com a alma, sentir o que ninguém sente, ver o que ninguém vê e transformar isso em palavras que tocam. Escrever com a alma é o que me faz ser quem eu sou.

Erro ortográfico? Apenas um detalhe. Isso se corrige. O que não se ensina é essa sensibilidade de sentir tanto que às vezes até dói.

E aí eu me pergunto: por que eu passei quase 10 anos com medo de assumir que sou escritora?

Talvez porque minha prima de segundo grau já tinha lançado um livro — e era excelente. Eu me comparei, me diminui, pensei: “Não sou boa o suficiente pra isso…” Ou talvez porque, nas aulas de literatura, eu não me destacava. Mas, na real? Eu estava ocupada demais sofrendo por garotos que nem lembravam meu nome. A ausência do meu pai, a puberdade, o caos interno... tudo isso me afastou da minha essência.

Mas me reconectar com ela me fez lembrar.

Agora tudo faz sentido. Eu queria escrever tantas histórias, criar livros, desde pequena. Queria ser roteirista das brincadeiras, contar histórias para toda a sala, deixava o professor furioso porque os alunos prestavam mais atenção em mim do que nele.

Sempre tive esse dom de cativar com palavras, de inventar universos na cabeça, de colocar emoção onde ninguém via nada demais. E mesmo agora, ainda carrego o que talvez seja o maior problema de todo escritor: pensar demais.

Pensar tanto que a mente transborda — ideias, diálogos, desabafos, dores, distrações. Fico procrastinando, adiando, enchendo o copo d’água que é minha cabeça até ele ameaçar transbordar.

Inclusive, esse texto aqui eu só sentei pra escrever porque me identifiquei profundamente com a Beck, da série You. Aquela inquietação dela, o caos criativo, aquela sensação de ter as respostas todas dentro de si… só que tudo bagunçado. Foi o gatilho que me fez entrar nessa reflexão — e, dois dias depois, caiu a ficha: caramba, eu sou escritora. Sempre fui. Só estava tentando ser tudo, menos o que minha alma já sabia.

Hoje, eu entendi: não sou escritora por ego, por status, ou pra me provar pra alguém. Eu sou escritora porque EU SOU.

Comentários


@ Camila Beckeer 2025 - Todos os direitos autorais reservados

bottom of page