Quando mulheres se emocionam com o brilho de outras mulheres, o mundo cura!
- camila gabrielle siring beckeer
- 5 de abr. de 2025
- 3 min de leitura

Hoje eu chorei junto com Eduarda Braum.
Vi o vídeo. O momento da coroação. A emoção dela, a realização. E chorei também. Não porque algo ruim aconteceu. Foi porque meu coração transbordou de uma emoção sincera, daquelas que aquecem o peito de forma inesperada.
Eduarda Braum, de 23 anos, foi eleita Miss Supranational Brasil 2025. E mesmo eu nunca tendo conhecido ela de perto, algo em mim se emocionou profundamente. Talvez porque acompanhei, mesmo de longe, seu crescimento nas três escolas em que estudamos. Talvez porque, na época em que eu era tímida e observava de longe, já enxergava nela um brilho único, natural, daqueles que não precisam de holofotes pra chamar atenção.
Lembro de vê-la andando pelos jardins da escola. Ela com seu jeito esportivo, presença marcante, já tão admirada. Eu mais reservada, mas sempre sensível a essas luzes e energias que as pessoas carregam.
E hoje, vendo "aquela menina bonita dos Três Pontões que pegava ônibus e estudava nas mesmas escolas que eu" sendo coroada como Miss Supranacional Brasil... algo em mim se transformou. Não só por ela, mas por tudo que isso representa.
Se eu que nem tenho intimidade com ela já fiquei orgulhosa, imagina os amigos e familiares.
A gente vive numa bolha quando está na escola. Cresce achando que coisas incríveis nunca vão acontecer naquela cidade pequena. Romantiza famosos, outras cidades, outros estados. Acha que o brilho tá sempre longe. Valoriza demais o que está fora e esquece de olhar o que cresce dentro.
E aí, quando alguém do "nosso chão" vence, a ficha cai. A autoestima da gente expande. "Uau... ela é incrível... e nasceu aqui." A sensação não é de comparação, é de pertencimento. É um lembrete silencioso de que não somos pequenos. Que somos solo fértil. Que dá pra florescer aqui também.
Eduarda é formada em Letras e Pedagogia. Tem projetos sociais. É linda, sim — mas também é força, propósito, conteúdo. Representa não só o Espírito Santo, esse estado tão esquecido no Sudeste, mas vai representar o Brasil inteiro em um concurso internacional na Polônia.
Eu vi de perto o início do sonho dela ganhando forma. Um dia, por curiosidade, fui fazer o curso de seleção de modelos do Pietro de Marcos. E ela estava lá. Brilhou. Foi chamada no palco. E mesmo aquilo não sendo meu sonho, achei linda aquela cena. Ficou gravada na minha memória como se fosse uma profecia. Parecia que ela nasceu pra isso.
Escrevo isso não pra puxar saco. Nunca tivemos intimidade. Sempre fui tímida demais pra me aproximar de meninas bonitas e populares, e pra mim, ela já era. Mesmo que eu tenha lido depois que ela também era tímida. Talvez por isso nunca tenha rolado essa conexão direta, até porque temos idades diferentes. Mas existe admiração. E ela é genuína.
Lembro que, naquele grupo social que eu convivia, era comum ver críticas disfarçadas, comentários maldosos, inveja velada sobre qualquer garota que se destacava. E hoje me impressiona — e entristece — pensar que talvez essas mesmas pessoas não consigam sentir esse orgulho, essa inspiração, por estarem presas em padrões de rivalidade e comparação. Padrões que infelizmente viram costume em uma cidade como a nossa, mas que eu espero que estejam sendo limpos. Normalmente, isso acontece por um simples motivo: muitas dessas pessoas não confiam em si mesmas. E isso se reflete.
Porque deveriam sentir. Porque o sucesso dela não é sobre ego, é sobre representação.
Ela é prova viva de que gente como a gente também vence.
Mulheres precisam sentir isso. Precisam se permitir vibrar com o brilho umas das outras. Não como ameaça, mas como farol. Porque quando uma mulher brilha, ela acende o caminho pra todas nós.
O sucesso de uma mulher que pisou as mesmas ruas que você, que respirou o mesmo ar, que teve a mesma base — desperta na gente uma confiança adormecida. Uma voz interior que diz: "eu também posso conquistar meus sonhos."
O que me fez chorar de emoção é o sentimento que tive. Não senti inveja, nem comparação. Senti orgulho. Pertencimento. Esperança. Isso também prova o meu amadurecimento. Porque anos atrás, inserida em um grupo com tantas línguas venenosas, talvez esse sentimento tivesse sido abafado por outro tipo de energia. Também é uma prova de que o ambiente que te rodeia afeta suas atitudes, e quem você é e quer se tornar. Hoje não. Hoje senti apenas o amor e a beleza de ver uma mulher brilhar.
Porque quando uma mulher vence, ela abre portais pra outras passarem.
— Camila Beckeer



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